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The picture is awful and, arguably, the models no better. But what a moment! The meeting happened last December (2019), in Universidade Católica in Lisbon, during the “Building Narrative: Cultural Interfaces and Spatial Meaning” conference. On my right, no less than Malcolm Miles, one of my intellectual heroes and with whom I happen to co-operate since 2000 (he was THERE, during the very initial tottering moments leading to what would end up becoming a sort of iconic urban event: Lisbon Capital of Nothing – Marvila 2001). His latest book Cities and Literature shows how literature frames real and imagined constructs and experiences of cities. The text offers access to literature from an urban perspective for the social sciences, and access to urbanism from a literary viewpoint. Lovely crossover. On my left, Krzysztof Nawratek, a sort of radical partisan of a nu-urbanism. He defines himself as a ‘transhumanistic post-christian democrat’. The author of the surprising Total Urban Mobilisation: Ernst Jünger and the Post-Capitalist City, Nawratek’s main research interest lays in urban theory in the context of post-secular philosophy, the crisis of the contemporary neoliberal city model and urban re- industrialisation. Uf! In other words, and now seriously:  urban theory can be… loads of fun.

The gorgeous poster (below) is by designer Nayara Siler, on photography (taken in Varanasi, India) by Agata Wiórko.

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A fotografia é péssima e os modelos, se calhar, não muito melhores. Mas que intenso momento! O encontro ocorreu Dezembro passado (2019) na Universidade Católica em Lisbon, durante a conferência “Building Narrative: Cultural Interfaces and Spatial Meaning”. À minha direita, nada menos que Malcolm Miles, um dos meus heróis intelectuais e com quem tive a oportunidade de cooperar desde 2000 (ele esteve LÁ, durante os titubeantes momentos iniciais do que viria a tornar-se um evento urbano porventura icônico: Lisboa Capital do Nada – Marvila 2001). O seu livro mais recente, Cities and Literature, mostra como a literatura enquadra construtos e experiências, reais e imaginários, das cidades. O texto oferece acesso à literatura numa perspectiva urbana para as ciências sociais, e acesso ao urbanismo de um ponto revista literário. Adorável cruzamento. À minha esquerda, Krzysztof Nawratek, espécie de partisan radical de um novo-urbanismo. Ele define-se a si próprio como ‘democrata transumanista pós-cristão’. Autor do surpreendente Total Urban Mobilisation: Ernst Jünger and the Post-Capitalist City, o seu principal foco de investigação assenta na teoria urban no contexto da filosofia pós-secular, da crise do modelo de cidade contemporânea neoliberal e da re-industrialização urbana. Ufa! Por outras palavras, e agora seriamente: a teoria urbana pode… dar imenso gozo.

O belo poster (em cima) é da autoria de Nayara Siler, sobre fotografia (tirada em Varanasi, na Índia) de Agata Wiórko.

(A ARTE DOS) TEMPOS INTERESSANTES…

MC+Roman Stańczak

One more edition of the Biennale comes to the end. And one more article starts from the beginning. In the photo above, with reclusive Polish artist Roman Stańczak, whose inside-out airplane visualizes much more than Poland’s political divisions. Here a possible guided tour, across what doesn’t exist anymore. Courtesy SMART CITIES | Cidades Sustentáveis [Sustainable Cities] magazine.

In the photo below, two of the most beautiful smiles in the African continent: my dear friend Valerie Kabov, the tireless co-founder, in 2009, of First Floor Gallery Harare – and Marcus Gora, the band manager for Zimbabwe’s music group Mokoomba, hailed as Zimbabwe’s current hottest export. Africa is a state of mind (as the smiles demonstrate). Just listen.

MC+VALERIA+MARCUS

Mais uma edição da Biennale chega ao fim. Mais um artigo chega chega ao princípio. Nas fotos, primeiro com o reclusivo artista polaco Roman Stańczak, cujo avião do avesso visualiza muito mais do que apenas uma Polónia dividida. Aqui um itinerário possível, através do que já não existe. Cortesia SMART CITIES | Cidades Sustentáveis magazine.

Na foto a seguir, dois dos mais bonitos sorrisos no continente Africano: a minha querida amiga Valerie Kabov, incansável co-fundadora, em 2009, da First Floor Gallery Harare – e Marcus Gora, o manager do grupo Mokoomba, considerados actualmente a mais ‘quente’ exportação do país. África é um estado de espírito (como os sorrisos demonstram). É ouvir.

 

Santos, Anabela

Magic moment. To meet Anabela Santos, who now lives in Brighton, in the street where I live. Just passing through, the day she decided to visit the city where she has studied. For more on her extremely sensitive work, in two moments we crossed paths, check out the projects TERROIR/GRAFFITI and ESQUECER SARAMAGO. And look out what I read in her Facebook page: Those who receive your art will recognise their own feelings through you. Your creativity creates  heart-to-heart connection of truth and authenticity. This opens up the hearts of everyone who resonates with your art, leaving a wake of healing. Talk soon, Anabela.

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Momento mágico. Encontrar a Anabela Santos, que agora vive em Brighton, na rua onde vivo! A passar casualmente, no único destes dias em que deu um pulo até à cidade onde estudou. Para mais sobre o trabalho extremamente sensível desta, em dois momentos em que nos cruzámos, espreitar precisamente os projectos TERROIR/GRAFFITI e ESQUECER SARAMAGO. E vejam lá o que se lê na sua página de Facebook: Those who receive your art will recognise their own feelings through you. Your creativity creates  heart-to-heart connection of truth and authenticity. This opens up the hearts of everyone who resonates with your art, leaving a wake of healing. Arrisco agora em Português: Aqueles que recebem a tua arte reconhecerão através dela os seus próprios sentimentos. A tua criatividade cria conexão de verdade e autenticidade, de coração para coração. Isto abre os corações de quem quer que entre em ressonância com a tua arte, gerando um despertar da cura. Até já Anabela.

 

 

 

 

Total Urban Mobilisation! Now!

Reading (and wildly annotating!) Krzysztof Nawratek’s latest book – Total Urban Mobilisation: Ernst Jünger and the Post-Capitalist City –, an exhilarating read in mere 98 pages. The place: the warmhearted harbour for searching minds which is Karuna, the retreat center in the never-ending hills of Monchique, where the pressing desire for a post-capitalist urban life would apparently seem out of place.

In the homecoming process of merging with the self, my conviction is nevertheless that any method is welcome, and any path shall be open to fascinating detours – including the literally religious effort of interiorizing such a densely woven (there you go, post-secular) socio-cultural horizon, written with the boldness of a spiritual anarchist.

Themes such as social co-existence, citizen agency, urban creativity, tactical urbanism or experimental prototyping – to name just a few – are firmly, but also delicately interconnected by means of Ernst Jünger’s stereoscopic wanderings, in a tribute to truths capitalism and the neoliberal Dark Enlightenment gurus insist to ignore. Not that I suffer with the current monstrous misleading of lives and nature, for compassion and awareness is in any case more powerful than ignorance and negation.

But anyway, between a fresh take on case studies emerging all around the globe and sharply provocative philosophical positions articulated with utmost concision, the text is a discursive experiment on the foundations of common life on Earth and at the same time an enjoyable and almost dramaturgic sequence of landscapes for insightful thought to engage with the Self right within the urban condition. In such meta-narrative, places like Karuna are certainly gateways – portals – to the silent city where all ideas come to rest and become the sediment for Good.

This little book establishes a bridge with the heavier (considering the number of pages) and more poetic and literary Foams by Peter Sloterdijk. Which is relevant, since we’re all in need of alternatives for exhausted ideologies and soulless urban practices. Total urban mobilisation is just the right notion where to start. Just take some time for the search to take you to the brave new horizon of the post-capitalist city, by the hand of one of the most post-critical theorists of today.

And now, back to some meditation, possibly the next revolution in social interaction we’re all truly in need of.

Karuna, this Summer. Thank you.

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Lendo (e anotando violentamente!) o último livro de Krzysztof Nawratek – Total Urban Mobilisation: Ernst Jünger and the Post-Capitalist City – uma leitura enpolgante de meras 98 páginas. O lugar: o caloroso porto para almas em busca que é o centro de retiros Karuna, nos infindáveis montes de Monchique, onde o desejo premente por uma vida urbana pós-capitalista poderia parecer fora de contexto.

No processo de regresso a uma fusão com o Self, a minha convicção é de que qualquer método não deixa de ser bem-vindo; por outro lado, qualquer caminho deve estar aberto a fascinantes desvios – incluindo o esforço literalmente religioso de interiorizar tão densamente tecido horizonte sociocultural. Lá está: pós-secular.

Temas como a co-existência social, o agenciamento cidadão, criatividade urbana, urbanismo táctico ou prototipagem experimental – para citar apenas alguns – são delicada- mas também firmemente interconectados por meio de um rememorar dos passeios estereoscópicos de Ernst Jünger, num tributo a verdades que o capitalismo e os gurus neoliberais do Dark Enlightenment teimam em ignorar. Não que eu sofra com o monstruoso engano de vidas e natureza que por aí medra, já que a compaixão e a consciência [awareness] são em qualquer dos casos mais poderosos que a ignorância e a negação.

Seja como for, entre abordagens revigorantes de casos de estudo que emergem em todo o globo e posições filosóficas cortantemente provocatórias, articuladas com enorme precisão, o texto é um experimento discursivo sobre os fundamentos da vida em comum na Terra e ao mesmo tempo uma sequência agradável e quase dramatúrgica de paisagens onde o pensamento do discernimento pode engajar-se no Self, bem no seio da condição urbana. Nesta meta-narrativa, lugares como Karuna são certamente entradas – portais – para a cidade silenciosa onde todas as ideias vêm repousar e tornar-se no sedimento do Bem.

Este pequeno livro estabelece uma ponte com o mais pesado (em termos do número de páginas) e mais poético e literário Foams de Peter Sloterdijk. O que é assaz relevante, uma vez que estamos bem precisados de alternativas para exaustas ideologias e desalmadas práticas urbanas. A mobilização urbana total  é exactamente a noção certa por onde começar. Basta tirar-se algum tempo para que a busca nos leve ao belo novo horizonte da cidade pós-capitalista, pelas mãos de um dos teóricos mais pós-críticos dos dias de hoje.

E agora, de regresso à meditação, possivelmente a próxima revolução na interacção social de que todos realmente estamos precisados.

Karuna, este Verão. Obrigado.

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