Editor Extraordinaire

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Out of the blue. And into the black. I dropped by at the doclisboa film festival to check it out and… bingo! Got to watch The Unicorn, by Isabelle Dupuis and Tim Geraghty.

The film is extremely important. It raises the right issues in times of generalised insanity, in a world turned upside down by conformism. The work tells the story of an outsider musician and his luminous calvary as a citizen and the victim of a social system which appears to deal badly with certain differences. What is crucial in this small masterpiece is that it shatters any given ideas with the pure immanence a personality that the spectator tries to understand through the shreds of memories and of family and social relations.

Peter Grudzien is a sort of marginal genius. An icon of alt-country. He visibly orchestrates his presence in the movie, a microcosm of human emotions which is redeemed by the images and the precious empathy they generate. This the story of a life, of several intertwined lives, and never indulges in the obvious, the easy, the immediate or the moralist. It’s rather a sharp tribute to the inexorable complexity of the Human.

In a project like this (it took 5 years), what is crucial is to let the final cut articulate, in a seductive way, a narrative which is to remain both closed and open. Many topics are dealt with – America’s drift toward crisis, Mental Health… too name a couple – and above all interlinked fluidly, redeeming a bio-graphy. The one of an artist who had to deal with terrible ghosts and, in the end, prevails ‘in his own way’.

So there he is (pic above) – Tim Geraghty – the man who edited the images gathered by Isabelle with such dexterity and musicality that in the end I asked my companion: – The movie lasted what… 45′? – No, Dad! Two hours…!

Looking back, maybe this experience will only be complete when I get to listen the vinylAmerica from the Twilight Zone? There’s a Star Spangled Banner Waving Somewhere.

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Out of the blue. And into the black. Uma ida ‘random’ ao cinema, para apanhar algo do doclisboa, deu nisto! Fui parar ao documentário The Unicorn, de Isabelle Dupuis e Tim Geraghty (na foto).

O filme é de enorme importância. Precisamente face ao quadro de insanidade generalizada de um mundo virado às avessas pelo conformismo. A obra trata de um músico outsider e de seu luminoso calvário enquanto cidadão e vítima do sistema social incapaz de lidar com certas diferenças. O que é fundamental na obra é que estilhaça quaisquer ideias feitas com a pura imanência de uma personalidade que vamos reconstruindo à medida que vamos juntando farrapos de memórias e de relações familiares e sociais.

A personagem principal é Peter Grudzien, espécie de génio marginal do que virá a ser o alt-country [agora arranja-se etiquetas para tudo, não vá o mercado tecê-las). Ela como que orquestra a sua própria presença num microcosmo de emoções humanas não tanto escalpelizado quando verdadeiramente redimido pelas imagens. Pela preciosa empatia gerada. Esta história de uma vida, ou melhor de várias vidas inevitavelmente cruzadas, em momento algum resvala para o fácil ou o imediato, para o óbvio ou o moralista; constitui antes um elogio, no fio da navalha, de uma inexorável complexidade do humano.

Parte essencial de um projecto deste calibre (meia década de rodagem) é a capacidade de a montagem articular, de forma enleante, uma narrativa simultaneamente fechada e aberta. Os pontos tocados – e enumero apenas um par deles: de uma América à deriva ao tema sempre delicado da Saúde Mental –, e sobretudo a forma com se vão encadeando com naturalidade, resgatam uma bio-grafia. A de um artista que teve de lidar com terríveis demónios e, ao final, à sua maneira, até sai ‘por cima’.

Foi este senhor, Tim Geraghty, que tratou da fundamental tarefa de editar o acervo e imagens recolhidas por Isabelle. Fê-lo com uma destreza e uma musicalidade que levaram a perguntar no fim, à minha companheira de sessão: Isto foram o quê, 45’? — Não pai! Foram duas horas…!

A experiência se calhar só ficará completa um dia destes, quando ouvir com calma o vinilAmerica from the Twilight Zone? There’s a Star Spangled Banner Waving Somewhere.

 

 

 

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