Oops, they did it again!

Oops, they did it again. I have been a fan of this guy for a few decades now (shhhh…).
Now, 5VIE ART+DESIGN in Milan invited me to curate an urban intervention in Via Bagnera in the hidden heart of this great city and the result is soon to be seen, with openings during Salone del Mobile and MIART 2018. Courtesy Projecto Travessa da Ermida, the artistic project is an Urban Communication action which will transform the street into the stage for an unusual assemblage of critical, political and intellectual meanings. For now I leave you with a phrase by Xana which is music to my ears: «In public space it is fundamental for me to affirm Humanistic values that I synthesize in three words: Love, Freedom and Wisdom.» In 2013, I have been very very happy to have him on board for VICENTE, with the amazingly witty AMOR LIBERA LUX. And now… oops! We’re doing it again! Special thanks to Alessia del Corona and all the wonderful team of 5VIE ART+DESIGN. You know who you are. Institutional and Academic framework: IPL/ESAD.CR/LIDA.
In the photo below, one of the entrances of Via Bagnera in Milan. Photo by Agata Wiorko.
Further down, a moment during the local production by Xana.
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Sou fã deste fulano há décadas (chiu…). Agora, a 5VIE ART+DESIGN em Milão acaba de me convidar para curatoriar uma intervenção urbana na Via Bagnera, no discreto coração desta grande cidade, com inaugurações decorrendo no âmbito do Salone del Mobile e da MIART 2018. Cortesia Projecto Travessa da Ermida, o projecto artístico é uma acção de Comunicação Urbana que transformará a rua num palco para uma inusitada assemblages de significados críticos, políticos e intelectuais. Para já fiquem-nos por uma frase de Xana que é música para os meus ouvidos: «No espaço público é, para mim, fundamental afirmar valores humanistas que sintetizo em três palavras:  Amor, Liberdade e Sabedoria.» Em 2013, tive o enorme privilégio de ter este senhor a bordo do VICENTE, com o extraordinariamente espirituoso AMOR LIBERA LUX. And agora… ups! We’re doing it again! Agradecimento especial a Alessia del Corona e toda a maravilhosa equipa 5VIE ART+DESIGN. You know who you are. Enquadramento institutional e académico: IPL/ESAD.CR e LIDA.
Na imagem supra, uma das entradas da Via Bagnera em Milão. Foto de Agata Wiorko.
Em baixo, momento da montagem, by Xana.
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O íntimo atravessado

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«[…] we can say that any Thierry Ferreira’s art work is a play with scales. In the breath of enhancing and decreasing, each art piece is the final result of accurate preparatory models, it holds a color, transits through a joint and lays on a weight. The artist reveals himself provided with that infinite force of recombination which makes everything new, even the most familiar of sculptural structures. The forms that emerge in the artist’s mind are experimentally materialized in different opportunities to become public artwork, in a process defined by the constant search of scales and materials suitable for their enjoyment by a wider public.» The excerpt is from my text «O Íntimo atravessado [The intimate traversed]», written for Thierry Ferreira’s exhibition.

I met Thierry briefly years ago, but only now we met again, in order for my words to dance around his piece for the space of Edge Arts, an invitation by Inês Teles. A beautiful encounter, also for who passes by. The text ends like this: «Nevertheless, let me point out one more thing. In this new kind of aesthetic experiences of which the Global City and its flows are the inspiration, theme and playing field, we fundamentally witness a recoding of the everyday life experience. Then, we realize for a fraction of a second that we will never be robots

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«[…] qualquer obra de Thierry Ferreira é sempre um brincar com a escala. Na respiração do aumentar e do reduzir, cada obra, resultado final de apuradas maquetes preparatórias, segura uma cor, transita através de uma articulação, assenta num peso. O criador revela-se dotado daquela força infinita das recombinações que torna tudo novo, até a mais familiar das estruturas escultóricas. As formas que lhe vão surgindo na mente são assim experimentalmente materializadas nas diferentes oportunidades para se tornarem públicas, num processo caracterizado pela constante procura das escalas e dos materiais adequados à sua fruição por um público lato.» O excerto é do meu texto «O Íntimo atravessado», escrito para a exposição de Thierry Ferreira III pistas II obstáculos.

Conheci o Thierry de relance há uns anos mas só agora nos reencontrámos e logo para que as minhas palavras dançassem com a sua peça para o espaço da Edge Arts, por convite da fantástica Inês Teles. Belíssimo encontro, também para quem passa. O texto, aliás, termina assim: «Neste novo tipo de experiências estéticas de que a Cidade Global e seus fluxos é inspiração, tema e terreno de jogo, o que testemunhamos é fundamentalmente uma recodificação da experiência quotidiana. E aí, percebemos por uma fracção de segundo que jamais seremos robots.»

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Photos courtesy of Edge Arts.

 

 

Sara e Diogo

Diogo e Sara

Têm chegado paulatinamente às livrarias várias obras de Padre António Vieira, na sequência da publicação da Obra Completa pelo Círculo de Leitores. Para a Temas e Debates, miolo idêntico, mas capas novas, por forma a atrair outros olhares. No backstage das capas para Sermões do Advento, do Natal e da Epifania e Sermão da Sexagésima e Sermões da Quaresma estiveram estes meninos. O Diogo, que participou também com um inspirado desenho no VICENTE’17, foi meu aluno, sendo co-autor do projecto Vidrado. O seu talento paira por aí. Fotografia Bruno Barata, cortesia Projecto Travessa da Ermida.

 

 

 

On the Intelligent City… and Sameer

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Varanasi, in India, is the oldest city in the world. Kashi is the City of Light. When I came back to my country and my city, SMART CITIES magazine in Lisbon gave me the opportunity to write a few words on the experience of travelling along the ghats of the most mystical of places.

Here my simple but sincere a reflection on the names, essence and challenges of Banaras, around the notion of Intelligent City. The text is also a very simple tribute to people I’ve met in the trip, some of the most bright and illuminated beings I’ve ever met. Yes, it’s in Portuguese. Anyway, much of the information introduced in my text came from extraordinary talks with friends Suresh K. Nair (artist and lecturer at Banaras Hindu University) and Sameer Singh (freelance photographer) [in the picture], whose insights met mine from the very first eye contact and the following conversation. Photos by Life Companion Agata Wiorko.

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Varanasi, na Índia, é a mais antiga cidade viva do mundo. Kashi é a Cidade d’A Luz. Quando regressei ao meu país e à minha cidade, a SMART CITIES em Lisboa deu-me a oportunidade de escrever algumas palavras acerca da experiência da viagem ao longo dos ghats do mais místico dos lugares. Este artigo é uma reflexão sobre os nomes, a essência e os desafios de Kashi/Banaras/Varanasi.

O texto, publicado na revista SMART CITIES #17, inaugurando a rúbrica ‘Cidades de Relance’, sugere a pertinência do conceito de Cidade Inteligente. Mas é também um tributo singelo a pessoas que encontrei na aventura, alguns dos seres mais brilhantes e iluminados que alguma vez conheci e de quem obtive parte essencial da informação: Suresh K. Nair e Sameer Singh [na foto], cujas intuições foram de encontro às minhas desde o primeiro contacto do olhar e subsequente conversação. Fotografias pela Companheira de Vida Agata Wiorko.

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Ano Zero a acabar em 2017

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Inaugurou (e está quase a acabar) em Coimbra a segunda edição da ANO ZERO – Bienal de Arte Contemporânea. A organização é do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, em parceria com a Câmara Municipal e a Universidade. ’Curar e Reparar’ é o tema: «Os artistas convidados, concebendo obras especificamente para a bienal ou representados com peças previamente existentes, dão expressão a múltiplos entendimentos (sociais, pessoais, ambientais ou arquitetónicos) desta preocupação da nossa relação com o mundo e com o outro.» Noutra dimensão, o acontecimento reflecte sobre as feridas da cidade.

Uma visita-relâmpago basta para aferir da qualidade e excelência da proposta, com direcção geral de Carlos Antunes e curadoria de Delfim Sardo. Restrinjo-me a um par de impressões, até porque a experiência de atravessar a cidade e depois chegar a espaços como o do Mosteiro de Santa-Clara-a-Nova é esteticamente exigente, com uma intensidade rara. Highlights possíveis: a sala da intervenção de Fernanda Fragateiro (em diálogo com a depurada text-art de Francis Alÿs), momento que a par do ‘processo processional’ de William Kentridge no Torreão Sul justificaria todos os quilómetros feitos.

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Mas há tanto, tanto mais: o labirinto de espécies vegetais no exterior de Gabriela Albergaria, a escultura arquitectural de Ângela Ferreira, a inusitada instalação de Rubens Mano, a fotografia-projecto-de-investigação de Maçãs de Carvalho… A palavra está muito gasta, mas esta é verdadeiramente uma exposição imperdível, genuinamente internacional e decididamente específica na sua relação com o património, tanto histórico como arquitectónico. É uma coisa de se percorrer com um ritmo próprio que advém de uma mais do que criteriosa implantação do conceito, para o que terá certamente contribuído o rigoroso e ao mesmo tempo discretíssimo projecto espacial do Atelier do Corvo.

No texto de Defim Sardo, há um parágrafo denso que põe qualquer radicalidade ‘a fancos’. E que se calhar à sua maneira a redime – ou ‘repara’ –, precisamente por via da qualidade estética das peças e do poder imanente da sua exposição:

A proposta da bienal foi, portanto, de se situar nos antípodas de um pensamento radical, de uma proposta que se reivindicasse da raiz, da origem ou do apagamento, da limpeza ou de qualquer purismo. Há um bolor moral na radicalidade que foi o ponto do qual esta proposta se pretendeu desviar a partir de um trabalho dos artistas sobre a memória — a própria, a coletiva, a ficção da coletividade. A proposta que construímos parte desse propósito: há qualquer coisa que pode ainda ser arranjada, mesmo que pela exposição de uma ferida.

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Fotografias de Agata Wiorko.

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With Agata Wiorko aka Nomad Babe in Ermida, conversing over Echo, a wonderfully elegant show by Rui Sanches. Nomad Babe is the online result of Agata’s photographic work, a personal investigation concerning how to capture the fleeting spirit of a place or a situation. Her intention is to explore the tangibility of moods. And yes, I helped with her copywriting: Basically I care for the sensescape surrounding the Human and try to acknowledge the way it is the end product of a complex reality, where the landscape or the trace of a gesture seem to invite the viewer to become a nomad soul. Uf! The (gorgeous) photo is by Nuvem Lyfestyle/Bruno Barata.​

Com Agata Wiorko aka Nomad Babe na Ermida, conversando sobre Echo, uma maravilhosamente elegante exposição de Rui Sanches. Nomad Babe é o resultado online do labor fotográfico da Agata, uma investigação pessoal sobre como capturar o espírito inefável de um lugar ou situação. A sua intenção é explorar a tangibilidade de atmosferas. E sim, dei uma mão no copywritingBasically I care for the sensescape surrounding the Human and try to acknowledge the way it is the end product of a complex reality, where the landscape or the trace of a gesture seem to invite the viewer to become a nomad soul. Uf! A (bela) fotografia é de Nuvem Lyfestyle/Bruno Barata.​

ATSARA rule!

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With brilliant duo ATSARA and their lovely daughter for the exciting LUZA festival in Algarve. Amazing work – the lumina-kinetic piece ‘Moïra’, fitting marvelously the generative aesthetic of the show. ATSARA are one of my favourite artists, having participated in SKYWAY (2012). They always offer the public a mesmerizing live experience where evolving drawings meet space in a most unconventional way. Self-taught artists rooted in the art of performance and improvisation, Roland Devocelle and Audrey Rocher started to work with projections in 2008, focusing on interplays of projected light and delicately manipulated surfaces. I love them.

 

 

Encounter with Intuition

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Intuition at Palazzo Fortuny was truly the experience of an encounter. Un unmatchable experience, the show payed tribute to what Aristoteles regarded as the paramount form of knowledge. Perhaps the door for a more authentic experience – as Walter Benjamin suggests in his critical reading of Bergson. In the image, The Bread by Michaël Borremans, 2012. Article here.

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Intuition no Palazzo Fortuny foi realmente a experiência de um encontro. Experiência incomparável, a mostra presta tributo ao que Aristóteles considerava a suprema forma do conhecimento. Porventura a porta para uma experiência mais autêntica – como propõe Walter Benjamin na sua leitura crítica de Bergson. Artigo aqui.

 

Super 8 Father

The soundtrack could well be ‘Song for my Father’ by Horace Silver. These images are the most unusual and unexpected of these ‘Moments’. The reencounter with my father thanks to the Super 8mmmovies he bequeathed to me. I can’t imagine if he knew that I’d watch them with the age he recorded them. The adventure just started. Memory takes new bends. «He who seeks to approach his own buried past must conduct himself like a man digging.» Walter Benjamin.

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A banda sonora poderia ser ‘Song for my Father’ de Horace Silver. Estas imagens são o mais inusitado e inesperado destes ‘Moments’. O reencontro com o meu pai por graças dos filmes Super 8mm que ele me legou, não imagino se sabendo que eu só veria com a idade com que o meu os filmou. A aventura mal começou. A memória dá curvas novas: «Quem procura aproximar-se do seu próprio passado tem de se comportar como um homem que escava». Walter Benjamin.

 

Old (and new) friends.

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The opening of VICENTE’17 and the launching of the book ‘On the Silence of the Crows, Animal Vicente’ (a beautiful design by Paulo Condez/NADA) was the opportunity for several very rare moments. The photos don’t lie, it was redemptive fun!

There’s me in the company of the the loveliest of characters: not far from architects Madalena Folgado (whom I met for the first time in the opening) and Carlos Lampreia, with whom I share for a long time a conversation on the relation between (land) art and architecture; between Friar Rui Grácio, a new holistic friend, and José Manuel Anes – an old friend and someone I admire for many reasons, among which the blend of cross-disciplinary knowledge, never-ending curiosity and timely sense of humor; between JOH – Jorge Humberto – whom I have shared the floor in my first proper exhibition (don’t ask us the date!) and later curated more than once  – and Jorge das Neves Branco – closest colleague at Fine Arts School and a very very special sculptor (my first ever curatorial ‘victim’); between JER [José Eduardo Rocha] – composer and my hero since the Eighties (also from the times of Fine Arts School) – and my dearest artist friend Dominik Lejman, whom I met in the framework of Skyway, back in 2009; between Levina Valentim and Agata Wiorko – the former a most joyfully literate and bright of minds, the latter the most intuitive nomad babe; not far from Pedro Teixeira da Mota and José Luís de Matos [talking to Catarina Pombo Nabais and Fábia Fernandes], truly living repositories of Ancient knowledge and love.

Glorious resonances. An informal web of affects and ideas. The photos are by Bruno Barata, courtesy PTE.

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A inauguração do VICENTE’17 e o lançamento de ‘Do Silêncio dos Corvos, Animal Vicente’ (um belo design por Paulo Condez/NADA) foi oportunidade para vários momentos raros. As fotos não mentem, foi prazer e redenção.

E lá estou eu na companhia de várias personagens admiráveis: não longe dos arquitectos Madalena Folgado (que conheci pela primeira vez na inauguração) e Carlos Lampreia, com quem há muito partilho uma conversação sobre a (Land) arte e a arquitectura; entre Frei Rui Grácio, um novo amigo holístico, e José Manuel Anes – um velho amigo que admiro por muitas razões, entre as quais a mistura de conhecimento interdisciplinar, infinda curiosidade e sentido de humor; entre JOH – com quem partilhei a minha primeira exposição propriamente dita e com quem viria a colaborar como criador, mais do que uma vez – e Jorge das Neves Branco – colega de Belas Artes e um escultor muito especial (vítima da minha primeira ‘curadoria’); entre JER [José Eduardo Rocha], compositor e meu herói também desde os tempos de Belas Artes – e o meu querido artista e amigo Dominik Lejman; entre Levina Valentim e Agata Wiorko – a primeira a mais jovialmente literata das mentes e a segunda e mais intuitiva nomad babe [isto fica giro traduzido: miúda nómada]; perto de Pedro Teixeira da Mota e José Luís de Matos [de costas, Catarina Pombo Nabais e Fábia Fernandes], verdadeiros repositórios vivos de conhecimento e amor.

Gloriosas ressonâncias. Uma teia informal de afectos e ideias. As fotografias são de Bruno Barata, cortesia PTE.