Terna Guerreira

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She used to say she wanted to believe in life after death because she wanted to continue to write about the life of people after her own death. (And then she’d laugh like a child). Here I am in the image above, a day before the news, paging through the extraordinary forward of Ternos Guerreiros [Tender Warriors] inside the cathedral of light created by Cesar Barrio in the Lavadouro das Francesinhas do Bairro da Madragoa. And what a read, within four water walls.

Agustina, discretely, exits the stage. The Theatre of Apparitions her last address, which is always the first in the circular universe of the initiated. The Tender Warrior keels over. It is time to bury Agustina. That is, to read her, and wake up to the deflagration of the sensitive. Mystery and Literature in a cat.

Today, in the newspaper [Público], Eduardo Lourenço geometries the ouvre of the sibila in a few paragraphs, helping to hand over, to the mainstream public, what Mário santos accounts as the ‘mighty fluidity’ of an ‘anarchist writing’, ‘which seems to sprout from an inexhaustible and paradoxical mediúnico source’. I just wonder: Seems?

In memoriam Agustina Bessa-Luís [2019-1922]

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Ela dizia que queria acreditar na vida após a morte, porque queria continuar a escrever sobre a vida das pessoas depois de morrer. (E ria-se como uma criança). Eis-me na imagem, um dia antes da notícia, folheando o extraordinário prefácio de Ternos Guerreiros na catedral de luz criada por Cesar Barrio no Lavadouro das Francesinhas do Bairro da Madragoa. E que leitura, entre quatro paredes de água.

Agustina, muito discretamente, sai de cena. O Teatro das Aparições sua última morada, que é sempre a primeira, no universo circular dos iniciados. A Terna Guerreira soçobra. É preciso enterrar Agustina. Lê-la portanto, e acordar para a deflagração do sensível. Mistério e Literatura num gato.

Hoje no Público, Eduardo Lourenço geometriza a obra da sibila num par de parágrafos, ajudando ao resgate, para junto do grande público do que Mário Santos descreve como ‘caudalosa fluidez’ de uma ‘escrita anarquizante’, ‘que parece brotar de uma inesgotável e paradoxal fonte mediúnica’. Apenas pergunto: Parece?!

In memoriam Agustina Bessa-Luís [2019-1922]

 

 

Eduarda Lemos, nome de guerra: Brasil

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Thank you artists Bárbara Wagner & Benjamin de Burca, curator Gabriel Pérez-Barreiro and Fundação Bienal de S. Paulo for the Brazilian Pavilion in the 58th Arte Biennale. It brought us Eduarda Lemos and the adorable teams of dancers from Recife. It was one of the very first pavilions I checked out in Venice, and it would be under its spell that I would do the rest of the tour.
Needless to say, nothing else would mesmerise me in the same way (with the exception, I must admit, of the live opera at the Lithuanian show). In any case, Swinguerra is highly relevant because it is a quite spectacular outcome of an ongoing commitment of the filmmakers with a community of youngsters passionately competing with each other among dance groups dedicated to the emergent styles of the periphery: swingueira, brega and batidão do maloca. The fact that these dancers are most nonbinary is for me somehow secondary, but I am sure it is nevertheless a crucial point when it comes to dig into the Brazilian reality.
The experience of the space in the Giardini is of a hybrid form of musical documentary, one well aware of its potential as a social event. It might be generating a political momentum. Notably, it is the result of a participatory and horizontal practice with the characters portrayed having collaborated in the film’s script. And what’s more important, as the curator puts it, it’s about offering society a radically inclusive contribution for engagement and debate, in a country currently acknowledged as a violent territory of “disputes on visibility, legal rights, and self-representation”.
By all means, and for this post’s sake, Eduarda will be the face of this year’s Biennale, but I risk to say, possibly also the face of Brazil during these utmost troubled times. She steals your heart with her moves and her gaze, as if all of her (gorgeous) mates  were also speaking through her. Humans as avatars of whole communities, that’s what this kind of sweet creature is. Disarming. Just enough to make you adhere to the criticality of the fight for justice, freedom and evolution in a world menaced by all sorts of fascisms, coming under all scales and disguises. Força, galera!
Eduarda Lemos, nome de guerra: Brasil
Obrigado artists Bárbara Wagner & Benjamin de Burca, curador GabrielPérez-Barreiro e Fundação Bienal de S. Paulo pelo Pavilhão do Brasil na 58.ª Arte Biennale. Trouxe-nos Eduarda Lemos e a adorável equipa de bailarinos do Recife. Foi dos primeiros pavilhões que espreitei em Veneza. E foi sob seu feitiço que visitaria o resto do percurso.
É evidente que nada mais me impressionaria da mesma maneira (com a excepção, tenho de admitir, da ópera ao vivo na representação lituana). Em qualquer dos casos, Swinguerra é muito relevante porquanto espectacular expressão do comprometimento dos realizadores com uma comunidades de jovens que compete apaixonadamente entre si, em grupos de dança que se dedicam a estilos emergentes da periferia: swingueira, brega e batidão do maloca. O facto de a maioria dos dançarinos ser não-binário é para mim de alguma maneira secundário, mas estou certo de que não deixa de ser  um ponto crucial quando o que está em causa é um mergulho na realidade brasileira.
 
A experiência do espaço nos Giardini é a de uma forma híbrida de documentário musical, consciente do seu potencial como acontecimento social. Talvez contribua para gerar momentum político. Até porque é o resultado de uma prática participaria e horizontal com as personagens representadas colaborando no guião. Ainda mais importante, e tal como o curador tornou claro, trata-se de oferecer à sociedade uma contribuição radicalmente inclusiva para o engajamento e o debate, num país actualmente conhecido por se ter tornado num território violento de “disputas sobre visibilidade, direitos legais e auto-representação”.
 
Para todos os efeitos, e para os deste post – cujo título evoca o Nome de Guerra de Almada Negreiros, Eduarda será o rosto da Bienal deste ano, mas arrisco dizer, também do Brasil nestes tempos assaz perturbantes. Ela rouba-nos o coração com os seus movimentos e o seu olhar, como se todos os/as seus (lindos/as) companheiros/as estivessem também eles/as a falar por meio dela. Humanos como avatares de comunidades inteiras, é este o tipo de doce criatura na imagem. Desarmante. Na exacta medida para nos fazer aderir criticamente à luta pela justiça, liberdade e evolução num mundo ameaçado por todo o tipo de fascismos, que nos chegam em todas as escalas e disfarces. Força, galera!

A trace of Light in Venice

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Miracles do happen. The miracle of light is one Czech artist Pavel Korbička is very much used to perform, recurring to the most delicate, precise and magical takes on space. Simplicity is key in his art, and what a surprise to find his latest work illuminating a detail of the Basilica dei Santi Cosma e Damiano! Some sort a membrane of radiation reveals the presence of some kind of portal.

 

Part of the exhibition Pavilion 02, curated by Tomasz Wendland and Harro Schmidt, this new site-specific installation is a dialogue between old Venetian architecture and light. The longest producible neon (2.5m) is tilted from a circular window to the sky (45°) in the central axis of the tower. The light from the neon adheres to the window frame, to the wall of the church and the monastery according to its spatial misalignment.

 

For Tomasz Wendland, Art is and will be all that besides words. And this assertive piece truly manages to refer to that idea, while contributing for a both mysterious  and cognitive urban moment, what certainly meets the desire of the organizers of “Take care of Your garden”, the initiative of the Giudecca Art District.

 

In sum, for all who might want to drop by at the Biennale until next May 30, this special work is well worth a detour (see map below), for it’s not an everyday thing, the way this artist trespasses the weight of architecture, only to re-materialize the essence of the built while rendering all immaterial a powerful presence.

 

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Um traço de luz em Veneza

Os milagres acontecem. O milagre da luz é um que artista checo Pavel Korbička está perfeitamente habituado a fazer, recorrendo às mais delicadas, precisas e mágicas apropriações do espaço. Simplicidade é um termo-chave da sua arte e que surpresa, depararmos-nos com esta nova obra iluminando um detalhe da Basíilica dos Santos Cosme e Damião! Uma espécie de membrana de radiação revela a presença de uma espécie de portal.

 

Integrada na exposição Pavilion 02, com curadoria de Tomasz Wendland e Harro Schmidt, esta instalação sítio-específica é um diálogo entre a arquitectura antiga de Veneza e a luz. Uma luminária inclinada a 45º, com 2.5m (cumprimento máximo actualmente produzido), atravessa a janela no eixo central da torre em direcção ao céu. A luz do néon adere à moldura da janela, à parede da igreja e do mosteiro, em função do desalinhamento espacial gerado.

 

Para Tomasz Wendland, A Arte é e será tudo o que está para lá das palavras. Esta assertiva peça consegue com efeito remeter para esta ideia, contribuindo ao mesmo tempo para um momento urbano simultaneamente misterioso e cognitivo, o que certamente vai ao encontro do desejo dos organizadores do programa “Take care of Your garden”, iniciativa do Giudecca Art District.

 

Em suma, para quem passar pela Bienal ou Veneza até este dia 30 de Maio, esta obra muito especial vale bem o desvio (ver mapa em cima). Pois que não é coisa do dia-a-dia, a forma como o artista trespassa o peso da arquitectura, apenas para rematerializar a essência do edificado, enquanto torna todo o imaterial numa poderosa presença.

Bunga. Na barriga do tempo

Extraordinário testemunho, o de Carlos Bunga hoje (16.5.2019) na ESAD.CR, sobre o (seu) trabalho e a (nossa) Vida. Conferência Arquitectura da Vida, a convite de Samuel Rama. A arquitectura da arte explicada na primeira pessoa. Que bonito e profundo, e um orgulho para esta Escola e esta cidade ter ajudado a ‘produzir’ um humanista deste calibre.
The man behind the cardboard. The man. Que «utiliza o cartão mas não fala dele». Que através das sete vidas do papel e da fita-cola, e depois do desenho, do manipular pequenos e grandes objectos, e finalmente do comunicar da memória dos gestos (res)salva a temporalidade da performance – o conceito – para assim edificar a cidade numa dimensão ainda para lá das ideias. «São peças que não terminam com a exposição, antes continuam até… ao infinito». São pois coisas, que nenhum discurso seria capaz de conter, seja o da arquitectura, do urbanismo ou da antropologia. Ou da história e suas ruínas.
Choreographing spectatorship por esse mundo fora. Convocando-nos. A nomad of a mind like very very few. Para quem desconstruir e desfazer não é o oposto de construir e fazer. Sabedoria budista, oriental, ecos de Gutai e Gordon Matta-Clark. A síntese de tudo na obra de um criador para quem a casa começa sempre pela memória (da barriga da mãe) e a memória se transforma sempre numa casa (que levamos connosco e com os nossos genes – assim como os recebemos). Num fluxo.
De onde vem esta vitalidade, este energia? O encontro com a sua própria linguagem permanece um processo e sobretudo um desafio em aberto, literalmente hands on. Mas depois também usa as palavras e com uma fluência, uma generosidade, uma clareza e um rigor absolutamente desarmantes. A ternura da verdade. This might well be one of the last artists using metaphor to empty out its intrinsic distancing function to establish a fully conversational plane of imanence. Corpo e mente, ideia e conceito, acção e superfície num mesmo gesto. Exemplar. Obrigado.
No final da conferência, a uma pergunta de uma aluna, sobre se a essência do trabalho estava desde o início da vida ou se foi sendo descoberta durante o percurso, Bunga respondeu, assumindo a paternidade do vazio: «o que fazemos é o resultado do que somos». O que um grande artista faz é pelos vistos continuar a ser curioso (desde a barriga da mãe, isto é, da própria noite dos tempos) o suficiente para continuar a descobrir intuitivamente, em consciência, como dar forma à sua missão. Corpo ao futuro. Sent from my iPhone.
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PS Na mesma tarde, no MAAT, Bunga viria a ‘desfazer’ a seu construção durante uma performance. Fica a espreitadela para detrás do (des)edificado.

Sara & André & 100

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Very opportune book [and project], for these days there might be more curators than artists. Reminds me of the ANAMNESE initiative some years ago. This is a precious sum-up, cleverly taking advantage of the egos of the intervenients in order to unravel a multivocal narrative on the motivations behind curatorship. The ‘MacGuffin’ effect – asking us to present an artwork by ourselves… – led to something more democratic and substancial: the publication of a hundred interviews, both short and enlightening. And there’s of course the appropriation of the image of the iconic book by Obrist – through the graphic design. Furthermore, the edition pays a tribute to three heroes in the field:  Ernesto (de Sousa), (Paulo) Reis & (Paulo) Cunha e Silva. Ah! And there’s a brilliant text by Carlos Vidal.
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PS When I asked them for a dedication, the artists shot back with the same challenge they did to the other authors: ‘Dictate it to us, and we’ll write it’. So it went: To our dear find and con-artist / grateful for his impenetrable ontribution/ 1 Hug / Sara & André / 8.3.19’ Relational art it its most intimate splendour. For the full interview, take a peak here. [Ups, it’s in Portuguese…“]
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Livro [e projecto] muito oportuno, por estes dias em que artistas há poucos e curadores há muitos. Como a iniciativa ANAMNESE há uns anos, eis uma deliciosa peça de consulta, que joga muito bem com os egos dos intervenientes para desvelar uma narrativa múltivoca sobre as motivações da curadoria. Brilhante como o efeito ‘MacGuffin’ – o pedir-nos uma obra de arte da nossa autoria para ser mostrada – levou a algo de mais democrático e substancial: a publicação de cem tão curtas quanto iluminadoras entrevistas, num livro que é uma irónica apropriação da imagem do icónico livro do Obrist – desde logo ao nível do design gráfico. Trata-se finalmente, também, de uma delicadíssima homenagem a três heróis do comissariado: Ernesto (de Sousa), (Paulo) Reis & (Paulo) Cunha e Silva. Ah! E há um brilhante texto do Carlos Vidal.
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PS Quando pedi à Sara e ao André uma dedicatória, fui confrontado com o mesmo desafio que estes indómitos oportunistas lançaram aos/às colegas: ‘Dita-a, que a gente a escreve’. E assim ficou: Ao nosso querido amigo e con-artist / gratos pela sua insondável contribuição / 1 Abraço / Sara & André / 8.3.19’ A arte relacional no seu mais íntimo esplendor. Para a entrevista completa, espreitar aqui.

Aperitif and networking!

Milano Design PhD Festival 2019 is all about enthousiastic researchers meeting to share their diverse visions and particular interests. I ended up in the Smart Spaces and Cities panel, having the privilege of discussing the theses of Maria Elena Soriero, Bogdan Stojanovic and Isa Helena Tibúrcio. At my side, in her first participation in an international commission, Serbian researcher in Art History Vladana Putnic Prica, who enjoyed as much as myself the many differences in the evaluation procedures, in comparison to what happens in our countries’ universities.

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With Vladana Putnic Prica, from (New) Belgrade.

Looking closer into the works presented. The first, Maria Elena Soriero, was no less than a taxonomical tour de force; through a rigorous methodology of classification, she unveiled an evolutional narrative within Contemporary Art – from Immersion to the Cyborg – based on the analysis of major art-works (and  as well a few other cultural expressions in Visual Culture) which are establishing a Technonatural paradigm of experience. Always a pleasure to revisit the aesthetic of the likes of Bill Viola, Olafur Eliasson, Lygia Clark (photo below) or… Björk, now through such a specific, but nevertheless crucial lens.

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Bogdan Stojanovic’s work is encapsulated in a 5 lines long title: ‘Enhancement of Contemporary Architecture through a Meaningful On-site Experience. Novel design strategies for raising awareness of the eastern modernist architecture towards the major audience’. Uf. The fact is that the research is far from boring; it’s a brilliant take on the Smart Cities’ trend, managing to be both caring for locality (the Modernist built heritage of New Belgrade) and offering new generations and publics a multilayered and engaging audience development strategy (communicated by means of clever infographics). We’ll soon hear more from this guy, in an (Intelligent) city near you. Mark my words.

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Finally, the morning marathon would come to an end with Isa Helena Tibúrcio’s proposal of Light Art as a tool to generate and affirm Intermediate Urban Space. Luxo vs. Lixo or on how to operate from the perspective of a heart of gold. This is a very timely appropriation of Light Culture – which she approached through interviews with extraordinary artists such as Carlo Bernardini or Marco Brianza (Lux Matrix Tallinn) – for the sake of the involvement of ordinary people in conscious change. Brazil, are you listening?

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Below, Bogdan (Stojanovic, PhD.), and Maria Elena (Soriero, PhD) with Isa (Helena Tibúrcio, PhD).

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The afternoon at the Polifactory – POLIMI’s creative hub – was no less intense, with all the members of the several evaluation comitees giving highly personal lectures in an atmosphere of sheer informality, generosity and… provocation. A couple of these talks made my day: specially the proposal of a Happy Kaunas 2020 Contemporary Capital of Culture, by Jurate Tutlyte, and the passion with which Christian Gilles Boucharenc shared with a perplexed and delighted audience what Finnish and Japanese (!?!) design traditions might have in common. Des mots et des images justes! Two talks with Universal appeal, in fact establishing a fine dialogue with the opening Lectio Magistrali: Pietro Marani  on Leonardo da Vinci as Designer and Arturo DellAcqua Bellavitis explaining the historical reasons why Milano became a vibrant world capital of design. Judging by the quite amused international smiles In the group, also my talk on Dominik Lejman’s Haptic Aphorisms went also quite well. My special thanks to ESAD.CR and of course POLIMI for this wonderfully intense couple of days.

Designing ideas. Christian Gilles Boucharenc sharing his passion for the details which unravel hidden links between Finland and Japan, Architecture and Design. And Jurate Tutlyte unveiling the guiding lines of Kaunas (Contemporary Capital of Culture 2020.

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HAPTIC APHORISMS

Very happy to be participating as an author in Dominik Lejman‘s new book, Healing Loop. In good company: Mark Gisbourne,  Hubertus v. Amelunxen and Dominik himself interviewed by Ulrich Loock. These were probably the most difficult and challenging pages I ever wrote, for I had to be true to the vision and work of an extraordinary artist. As a matter of fact, the text has been a timely opportunity to reflect on a few personal insights arising from the collaboration between curator and artist.

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The book was published on the occasion of “Healing Loop”, the first retrospective exhibition of Dominik Lejman in Gdansk. The show presented some of the most important works of the artist from the last decade and a new video fresco – “Inclined Plane” – specially prepared for the exhibition in the LAZNIA Centre for Contemporary Art.

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In a very impressive way, the presented works were combined not only in terms of content, but also in terms of formal surgery– a way of operating which is characteristic of Lejman’s concept of “switching on of the lights in the cinema”. In a somehow tautological move, the specific logic of works at the exhibition can be furthermore defined as of a “healing loop” because repetition restrains the magnetism of the image in order to underline the presence of the viewer in the exhibition space. Very special thanks: Jadwiga Charzynska and Dominik Lejman. And to Nuno Carvalho, for the help in the revision.

PS.: It’s a book you may definitely judge by the cover.

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Muito feliz por participar como autor no novo livro de Dominik Lejman, Healing Loop. Em boa companhia: Mark Gisbourne,  Hubertus v. Amelunxen e o próprio Dominik Lejman entrevistado por Ulrich Loock. Estas foram provavelmente das páginas mais difíceis e desafiadoras que alguma vez escrevi, pois havia que ser fiel à visão e labor de um artista extraordinário. A verdade é que o texto foi uma oportunidade para reflectir sobre algumas ideias pessoais que nasceram da colaboração entre curador e artista.

O livro foi publicado no âmbito da exposição “Healing Loop”, a primeira retrospectiva de Dominik Lejman em Gdansk. A exposição apresentou algumas das mais importantes obras deste artista realizadas na última década e um novo fresco vídeo– “Inclined Plane” – especialmente concebido para a exposição no Centro de Arte Contemporânea LAZNIA.

Num registo impressivo, as obras apresentadas formam um conjunto não tanto dos seus conteúdos, mas em termos de cirurgia formal – um modo de operar característico da actividade que Lejman define como a de “ligar as luzes no cinema”. Num movimento de algum modo tautológico, a lógica específica destes trabalhos expostos pode ser definida como de “healing loop” (loop curativo) na medida em que a repetição contém o magnetismo das imagens para nelas sublinhar a presença do espectador no espaço expositivo. Obrigados muito especiais: Jadwiga Charzynska e Dominik Lejman. E a Nuno Carvalho, pelo apoio à revisão.

PS.: Trata-se de um livro que podemos sem dúvida julgar pela capa.

 

Electric Trio

From left to right: curator, artist and mentor – for more than a decade now – of the cultural activities at the Library of the FCT-UNL Campus in Caparica. We knew Beatriz Brum would bring to this exhibition more than an ’emerging artist’ spirit; but we (José Moura and me) were maybe not expecting such a linear – and luminous – demonstration of maturity. The photo is by Sara Pinheiro and captures the relation of co-presence that these works – both the vertical and the horizontal ones – establish with the spectator. The viewer is surprised by the apparent simplicity of the processes, only to be captured by the complexity behind them.

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Da esquerda para a direita: curador, artista e mentor – já para mais de uma década – da programação cultural na Biblioteca da FCT-UNL no Campus de Caparica. Sabíamos que a Beatriz Brum traria a esta exposição mais do que o espírito ’emergente’, mas não sei se estávamos à espera, o José Moura e eu, de uma tão linear – e luminosa – demonstração de maturidade. A fotografia é da Sara Pinheiro, e capta bem a relação de co-presença que estas obras – tanto as horizontais como as verticais, estabelecem com o espectador. Que é surpreendido pela aparente singeleza dos processos, apenas para ser capturado pela complexidade que por detrás deles está.

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Albuquerque

Look at us! Words aren’t needed. Somewhere in Lisbon, a few years ago. This man is a living myth. His name is Mendes, Albuquerque Mendes. His art is restless and free. Nossa!

WITH-ALBUQUERQUE-1Ó para nós. Palavras para quê? Algures em Lisboa, num destes anos. Este homem é um mito vivo. De seu nome Mendes, Albuquerque Mendes. A sua arte é inquieta e livre. Nossa!

Editor Extraordinaire

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Out of the blue. And into the black. I dropped by at the doclisboa film festival to check it out and… bingo! Got to watch The Unicorn, by Isabelle Dupuis and Tim Geraghty.

The film is extremely important. It raises the right issues in times of generalised insanity, in a world turned upside down by conformism. The work tells the story of an outsider musician and his luminous calvary as a citizen and the victim of a social system which appears to deal badly with certain differences. What is crucial in this small masterpiece is that it shatters any given ideas with the pure immanence a personality that the spectator tries to understand through the shreds of memories and of family and social relations.

Peter Grudzien is a sort of marginal genius. An icon of alt-country. He visibly orchestrates his presence in the movie, a microcosm of human emotions which is redeemed by the images and the precious empathy they generate. This the story of a life, of several intertwined lives, and never indulges in the obvious, the easy, the immediate or the moralist. It’s rather a sharp tribute to the inexorable complexity of the Human.

In a project like this (it took 5 years), what is crucial is to let the final cut articulate, in a seductive way, a narrative which is to remain both closed and open. Many topics are dealt with – America’s drift toward crisis, Mental Health… too name a couple – and above all interlinked fluidly, redeeming a bio-graphy. The one of an artist who had to deal with terrible ghosts and, in the end, prevails ‘in his own way’.

So there he is (pic above) – Tim Geraghty – the man who edited the images gathered by Isabelle with such dexterity and musicality that in the end I asked my companion: – The movie lasted what… 45′? – No, Dad! Two hours…!

Looking back, maybe this experience will only be complete when I get to listen the vinylAmerica from the Twilight Zone? There’s a Star Spangled Banner Waving Somewhere.

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Out of the blue. And into the black. Uma ida ‘random’ ao cinema, para apanhar algo do doclisboa, deu nisto! Fui parar ao documentário The Unicorn, de Isabelle Dupuis e Tim Geraghty (na foto).

O filme é de enorme importância. Precisamente face ao quadro de insanidade generalizada de um mundo virado às avessas pelo conformismo. A obra trata de um músico outsider e de seu luminoso calvário enquanto cidadão e vítima do sistema social incapaz de lidar com certas diferenças. O que é fundamental na obra é que estilhaça quaisquer ideias feitas com a pura imanência de uma personalidade que vamos reconstruindo à medida que vamos juntando farrapos de memórias e de relações familiares e sociais.

A personagem principal é Peter Grudzien, espécie de génio marginal do que virá a ser o alt-country [agora arranja-se etiquetas para tudo, não vá o mercado tecê-las). Ela como que orquestra a sua própria presença num microcosmo de emoções humanas não tanto escalpelizado quando verdadeiramente redimido pelas imagens. Pela preciosa empatia gerada. Esta história de uma vida, ou melhor de várias vidas inevitavelmente cruzadas, em momento algum resvala para o fácil ou o imediato, para o óbvio ou o moralista; constitui antes um elogio, no fio da navalha, de uma inexorável complexidade do humano.

Parte essencial de um projecto deste calibre (meia década de rodagem) é a capacidade de a montagem articular, de forma enleante, uma narrativa simultaneamente fechada e aberta. Os pontos tocados – e enumero apenas um par deles: de uma América à deriva ao tema sempre delicado da Saúde Mental –, e sobretudo a forma com se vão encadeando com naturalidade, resgatam uma bio-grafia. A de um artista que teve de lidar com terríveis demónios e, ao final, à sua maneira, até sai ‘por cima’.

Foi este senhor, Tim Geraghty, que tratou da fundamental tarefa de editar o acervo e imagens recolhidas por Isabelle. Fê-lo com uma destreza e uma musicalidade que levaram a perguntar no fim, à minha companheira de sessão: Isto foram o quê, 45’? — Não pai! Foram duas horas…!

A experiência se calhar só ficará completa um dia destes, quando ouvir com calma o vinilAmerica from the Twilight Zone? There’s a Star Spangled Banner Waving Somewhere.

 

 

 

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