Repairing*

Every moment in this exhibition is a treaty on presence. The works enter a dialogue between each other and with the exhibition space, comprising the city and the universe, in a way that builds a righteous path where every suggestion is a revelation.
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The main performatic moment happens at the entrance/exit, with the black box [‘caixa negra’ in Portuguese, the very name of the exhibition] calling for a gesture of inclusion by the very spectator, who is exposed him/herself to that gesture’s meaningfulness.
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I can’t imagine a better – or more focused – way to communicate (with) the pandemic, as a delicate play with/game of survival where the intimate and the absolute, the private and the public are exposed as relations.
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This exhibition is light, light that enters the room and is there kept. Healed. The square outside is the public, the tiny amphora here inside, space between space.
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Congrats to the mentor of this event, performer, researcher and lecturer Teresa Luzio, who here presents her work together with students and alumni of ESAD.CR. She is an example of radical and assertive honesty, concerning how to reimagine the role of art in our cities.
The curator-healer is Madalena Folgado, whose picture below captures the essence of her relation with space around; a keeper of what is not an object or objectifiable, but that which manifests itself – as she puts it – «in the relation between the objects – at different scales, as leaps of Conscience. Work-city-Cosmos.» Hers has been the proposal of the black box – the black cube “Augúrio (do) Nada” [“Omen (for] Nothing”] –  that calls for silence in the atrium at the stairs, and hers is the text that miraculously captures the sense of this collective effort through which women – each one dealing with their own processes – associate to the goddess Pandemia to hold the trauma with a hug of light.
Below Madalena’a text [in Portuguese] framing this almost secret exhibition. Caixa Negra is open to the public until July 31 at the Galeria de Exposições do Espaço Turismo das Caldas da Rainha (over the ‘Praça da Fruta’).
*In Portuguese, the verb ‘reparar’ bears two lawyers of meaning: noticing/paying and mending/fixing (something injured or damaged).
CAIXA-NEGRA-MADALENA
REPARAR
Cada momento desta exposição é um tratado de presença. As obras dialogam entre si e com o espaço, incluindo o da cidade e do universo, de um modo que constrói um percurso íntegro em que cada sugestão é uma revelação.

O momento performático por excelência é a caixa negra [nome da exposição] à saída/entrada, um apelo ao íntimo enunciar/anunciar da co-presença do/a espectador/a, expondo-se por um momento ao seu próprio gesto de inclusão.

Não imagino melhor – ou mais focado – modo de dizer a pandemia, no seu delicado jogo de sobrevivência em que o íntimo e o absoluto, o privado e o público são expostos enquanto relações. Toda esta exposição é em suma luz que entra e é guardada. Curada. A praça lá fora é o público, a pequena ânfora cá dentro o espaço dentro do espaço.

Está naturalmente de parabéns a mentora desta iniciativa radicalmente honesta e ao mesmo tempo assertiva do lugar da arte nas nossas cidades: a performer, investigadora e professora Teresa Luzio, que aqui expõe em mão de igualdade com discentes e alumni da ESAD.CR: Ana Raquel Pessoa, Filipa Jesus, Inês Garcias, Luna Gil, Matilde Gazeau Frade, Sofia Maciel.

A curadora-curandeira é a Madalena Folgado, que a imagem em baixo capta na essência da sua relação com o espaço; guardiã do que não é objecto nem objectificável, mas que se manifesta – com ela diz, «na relação entre os objectos – a diferentes escalas, enquanto saltos de Consciência. Obra-cidade-Cosmos.» É dela a proposta da caixa negra – o cubo negro “Augúrio (do) Nada” – que convida ao silêncio no átrio junto às escadas, e o texto que milagrosamente capta o sentido deste esforço conjunto em que mulheres – cada uma em seus processos – se associam à deusa grega Pandemia para a abraçar o trauma com um abraço de luz.

Para que conste, eis o texto (da autoria da Madalena) que enquadra esta quase secreta exposição. Caixa Negra está patente até 31 de Julho na Galeria de Exposições do Espaço Turismo das Caldas da Rainha (ao cimo da Praça da Fruta).

«Há voos que são quedas. Verdadeiros golpes de asa capazes de estilhaçar mundos para os doar à Terra.

Sete artistas caíram em si. Caíram em nós; ataram-se sem se emaranhar. Teceram relações até ao infinito do seu possível – o Agora – e deram-nos a ver que as constelações estão e-ternamente em aberto; não conhecem o espaço como confinamento. Trocaram objetos entre si, cuja imensidão íntima [Gaston Bachelard] lhes permitiu confiar a sua queda ao Outro. Desenharam inesperadas órbitas até chegar ao centro da sua existência. Descobriram que também o seu sol não exige o retorno da Terra à qual se doam. Caíram no próprio Amor, que é o Amor-próprio.

Oferecem-nos húmus e coordenadas para nos perdermos; o cromossoma do acolher, sem predeterminação biológica. Só por acaso as sete artistas são sete (7) mulheres – 7+1 = 8. Incluo-me neste infinito vertical (8), que é para muitos de nós a redescoberta do tempo; ou a própria atemporalidade – O tempo suspenso, vertical, tão terrível quanto fértil, que os artistas tão bem conhecem, e que a Pandemia deu a conhecer a um maior número de pessoas. Incluo-me, também, porque esta não é uma mostra exclusiva, é uma manifestação do Comum, em aberto; um olhar renovado sobre os processos horizontais de cocriação artística.

A exposição Caixa Negra marca a reabertura da Galeria de Exposições do Espaço Turismo das Caldas da Rainha, após o período de confinamento devido à Pandemia. Simultaneamente guarda e expõe os registos deste e de outros tempos suspensos, onde o acaso importa – onde o acaso é por-ventura a nova porta, para o encontro com o Outro que nos acontece. É por isso tempo de Aprender a Ser, pilar da educação da UNESCO, nesta cidade assinalada como criativa pela mesma Organização Mundial.

Entre as artistas há – por acaso – uma professora. Aprender a Ser é antes de mais aprender a cair. O caos do acaso combinado com a ordem alfabética dos nomes das artistas fez com que o seu nome fosse empurrado para o final da lista vertical em cartaz. Caiu primeiro que as alunas, para poder ver as suas quedas; a professora tem a vertigem do ensino horizontal. O que nos lembra o poema Pórtico do poeta Daniel Faria, cuja existência foi tão fugaz como luminosa: Com os meus amigos aprendi que o que dói às aves / Não é serem atingidas, mas que, / Uma vez atingidas / O caçador não repare na sua queda. 

As artistas pedem-nos silenciosamente que como as estrelas cadentes – meteoros que fugazmente rasgam os céus – lhes confiemos um desejo neste tempo de exposição íntima: Um desejo antigo de criança, agora renovado; um bom augúrio, já que se vêem impedidas de inaugurar. Este é, também, um convite para que se deixem contaminar pela Pandemia que a Caixa guarda, não sendo esta uma caixa de Pandora.

A origem e significado do termo Pandemia no grego antigo, diferentemente do atual uso cultural, foi em tempos simplesmente a todos pertencer; ou, ser comum a todos, epíteto de uma versão mais terrena de Afrodite, a deusa grega do Amor e da Beleza. Saibamos guardar desta exposição o seu original sentido. Transformemos, como as artistas, as perdas em recompensas; as dolorosas ausências em vazio criativo, útero comum do novo dia. Faça-mos deste modo bom uso cultural do termo Pandemia, não fosse o ato criativo, como aqui tão bem se expõe, um ato de comunhão.

O Amor e a Beleza sempre estiveram connosco; os artistas sabem-no bem. No princípio e no fim tudo em Caixa. Negra, Outrora, porque a Luz entra Agora em cada reparar. E, em cada reparar, um recomeçar.»

 

CAIXA-NEGRA-MC


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